Entrevista: Roberto de Souza

Confira o bate papo 

Roberto de Souza, Presidente do CTE, comenta sobre as perspectivas de mercado e destaca a importância de uma gestão inovadora na construção

 

Indicadores setoriais e análises de especialistas mostram que o mercado da construção chegou, no primeiro semestre de 2017, ao fundo do poço, e agora está sinalizando uma retomada. Quais perspectivas você percebe para o setor da construção nos próximos períodos?

Os principais indicadores econômicos parecem apontar que a economia se descolou da crise política e começa a apresentar sinais de reaquecimento. Inflação e taxa de juros em queda, geração de empregos oriundos da indústria e aumento da confiança do empresariado sinalizam para um cenário favorável para o País e, em especial, para o setor da construção. No mercado imobiliário, os estoques de apartamentos começam a ser vendidos e tem diminuído a vacância dos empreendimentos comerciais. As incorporadoras, antes paralisadas pela crise e pela insegurança, começam a retomar seus planos de lançamentos, com perspectivas crescentes de VGVs para os próximos três anos. Os empreendimentos do MCMV continuam sendo lançados e vendidos e, do lado da construção industrial, há também sinais de retomada das obras. Um movimento ainda muito lento, mas em progresso, o que cria um ambiente psicológico positivo no mercado. As lamúrias ouvidas em 2015 e 2016 já são substituídas por uma melhoria de astral.

 

Quais as bases que sustentariam ou possibilitariam novos negócios no mercado da construção, após esse cenário extremamente recessivo?

O mercado brasileiro é muito grande e diversificado, há oportunidades em vários nichos. As necessidades de habitação de interesse social são grandes e tudo indica que haverá continuidade do Programa Minha Casa Minha Vida. Há uma população grande de jovens entrando no mercado de consumo, os casamentos e os descasamentos continuam, gerando necessidade também de habitação. Há avanços no campo da moradia estudantil e da terceira idade. Há vários estudos em andamento para empreendimentos habitacionais focados em renda. Os empreendimentos comerciais, logística, self storage e varejo apontam para uma retomada, com o crescimento da economia. Vários fundos de investimento estão capitalizados e prontos para investir. E no plano do funding imobiliário, além dos clássicos recursos vindos da poupança e do FGTS, a LIG – Letra Imobiliária garantida está em fase final de aprovação pelo Banco Central.

 

O CTE tem trabalhado e insistido no conceito de “inovação ” como um dos caminhos para o setor da construção poder retomar uma trajetória de crescimento sustentável e com qualidade. O que isso significa exatamente?

O mundo está em mudança acelerada. A indústria 4.0 está promovendo uma nova revolução industrial. As startups estão destruindo empresas tradicionais de telefonia, transporte e hotelaria. A Revolução Digital tem transformado e impactado as empresas e os negócios. Tudo se move muito rapidamente e o setor da construção está inserido nesse contexto de mudança acelerada.

A grande ferramenta de transformação hoje disponível no mundo dos negócios é a INOVAÇÃO, entendida como concepção e implementação de mudanças significativas no produto, processo, marketing ou organização empresarial, a fim de melhorar os resultados de uma organização. No mercado da construção, há espaço para inovação em produtos imobiliários, em modelos de negócios que explorem nichos de mercado (student house e sênior living, por exemplo), na digitalização de processos financeiros e relacionamento com os clientes, na comunicação e marketing digital, na utilização do BIM em projetos, orçamentos e obras em toda sua plenitude com recursos de 3D, 4D, 5D e 6D,  na adoção de sistemas construtivos industrializados, no uso do Big Data, dos drones e na Internet das Coisas.

Enfim, as empresas da cadeia produtiva da construção podem lançar mão do conceito e metodologias de gestão da inovação já disponíveis no mundo empresarial e da pesquisa e promover mudanças significativas em seus negócios. É só querer e ter constância de propósito.

 

O que devemos esperar do encontro de diretores e gestores de 2017?

O Encontro trará líderes empresariais e especialistas de renome do setor para refletir sobre as perspectivas do mercado, tendências de comportamento e compartilhar práticas inovadoras de gestão de empresas, empreendimentos, projetos e obras. Ressalto que este será o 12º Encontro de Diretores e Gestores da Construção, que se realiza anualmente desde 2006.

 

Roberto de Souza
Engenheiro Civil, Mestre e Doutor em Engenharia pela EPUSP. Diretor Presidente do CTE. Especialista em gestão estratégica, qualidade, tecnologia, sustentabilidade e inovação na construção. Autor de 9 livros focados em Gestão, Tecnologia, Sustentabilidade e Inovação em Empresas Incorporadoras, Construtoras e Projetistas.

 

Próximos eventos:
seg ter qua qui sex sab dom
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30