Entrevista: Giancarlo De Filippi

Confira o bate papo 

Giancarlo De Filippi
Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP. Doutorando e pesquisador da área de planejamento e gestão da produção, lecionou no IFSP de São Paulo. É professor do curso de Pós-Graduação da Escola Politécnica da USP (POLI Integra - FDTE). Diretor da Unidade de Gerenciamento de Projetos & Obras do CTE. Auditor Líder ISO 9001 pelo IRCA, com MBA em Administração de Projetos pela FIA. Especialista em sistemas de gestão de qualidade, gestão empresarial, planejamento e gerenciamento de obras.

 

Giancarlo De Filippi, Diretor da Unidade de Gerenciamento de Projetos e Obras do CTE, comenta sobre planejamento e produtividade na construção em um mercado recessivo

 

Qual importância que o planejamento assume hoje, em uma conjuntura recessiva de mercado?

Em um mercado recessivo não há espaço para aventuras. As decisões precisam ser assertivas, pois fica muito mais difícil corrigir um erro no meio do projeto. Isto ocorre tanto do ponto de vista do investidor e do empreendedor, que precisam tomar o risco do negócio, como do ponto de vista do construtor e fornecedor, que com maior competição, tendem a minimizar suas margens, elevando também seus riscos. Neste ambiente, o planejamento torna-se vital para gerar informações técnicas e financeiras que subsidiem as decisões dos gestores.

 

Como as empresas da construção podem atuar para não correr tantos riscos e preservar a qualidade, custos e prazos?

O setor da construção vive um momento de estagnação muito forte, mas que se agrava pelo fato de recentemente ter passado por um crescimento também muito forte. Assim, além da diminuição de boas oportunidades de negócio, a quantidade de players e concorrentes é muito maior hoje do que no passado. Assim, é impossível imaginar que as empresas da construção não corram riscos quando entram em um projeto. O que as empresas precisam é levantar, entender e gerenciar adequadamente tais riscos. Esta premissa é a base do planejamento. Além disso, com as margens de lucratividade mais baixas, a sobrevivência das empresas depende de uma maior produtividade.

 

Diante deste novo momento, como o setor pode ganhar em produtividade?

Nos grandes desafios surgem as novas ideias. Talvez o único alento desta crise é que ela exigirá do nosso mercado maior profissionalismo e muita engenharia para a sobrevivência das empresas e de seus profissionais. Já vivemos um processo seletivo natural e agora, para avançar, serão necessárias novas formas de construir. Não há como projetar, planejar e construir da mesma maneira. O aumento de produtividade será mandatório. E se realmente o setor for inteligente, a manutenção deste ganho de produtividade no pós-crise fortalecerá de forma incrível as empresas que sobreviverem a este momento conturbado. Em resumo, acredito que a crise fará com que o setor eleve seu patamar de eficiência.

 

Qual o objetivo desta oficina e o que devemos esperar dela?

A oficina irá discutir exatamente estes pontos, os caminhos para aumentar a assertividade e a produtividade de nossos empreendimentos, seja organizando melhor os processos de projeto e planejamento, seja buscando pontos onde eliminar desperdícios ou agregar valor ao produto, projeto e obra.

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