Encontro de Diretores & Gestores da Construção

Perspectivas de mercado e boas práticas de gestão e inovação

No dia 08/12/16, 12 palestrantes e 282 profissionais da cadeia produtiva da construção participaram do Encontro de Diretores & Gestores da Construção: perspectivas de mercado e boas práticas de gestão e inovação, promovido pelo EnRedes.

Líderes empresariais apresentaram e debateram as perspectivas e oportunidades para o mercado imobiliário, o ambiente para o crédito e fundos de investimento na construção, e compartilharam práticas e cases de sucesso em diversas áreas de gestão e inovação.

O Encontro contou com participantes de todos os segmentos (incorporadores, construtores, fabricantes de materiais, fornecedores de serviços, consultorias, projetistas, órgãos públicos, fundos de investimentos, academia e entidades, imprensa), e possibilitou um amplo e dinâmico debate com profissionais diferenciados, mesclando assuntos que estão em plena pauta do país e do setor.

 

Perspectivas para o mercado imobiliário brasileiro

A Caixa, além do balanço de 2016, apresentou o Plano de Negócios 2017, em que estima contratações para acesso à moradia no valor de R$ 80 bilhões, sendo previstas a contratação de 630 mil novas unidades pelo programa MCMV em todas as faixas. De 2017 a 2020, prevê-se um investimento do FGTS na ordem de R$ 200 bilhões em habitação social, seu principal foco. Foi abordada também a qualidade do crédito imobiliário, hoje discutida sob o tripé: análise do risco de crédito (vontade de pagar); avaliação do imóvel (garantia real) e apuração da renda (capacidade de pagar). Foram apontados alguns desafios urbanos para a habitação, que previsam ser encarados, como produção massificada, áreas isoladas, baixa qualidade urbanística, expansão urbana, além de aprimoramentos necessários para a habitação sustentável, como qualificação do projeto arquitetônico, qualificação da inserção urbana, soluções integradas com a cidade existente e qualificação do projeto urbanístico.

Em relação ao Programa MCMV, este foi identificando como o grande responsável pelo ressurgimento do mercado de habitação popular no Brasil, principalmente pelo déficit habitacional do país que é ainda grande, com cerca de 6,1 milhões de unidades, concentrado especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste, que tende a crescer a nos próximos 20 anos, devido ao envelhecimento da população. Os atuais desafios para quem atua no segmento de habitação popular, no entanto, têm se concentrado no teto do preço, custo de produção, necessidade de padronização dos processos e industrialização do método construtivo, perfil de crédito do cliente e em algumas alterações nas regras do MCMV que reduziram a capacidade de compra do consumidor.

Com relação aos desafios e a pauta atual do mercado imobiliário, foram destacados que o retorno de investimentos para o setor deve ocorrer após 2017, os estoques continuarão sendo determinantes para novos lançamentos, a diminuição do número de companhias será temporário e a readequação de preços provocará efeitos em toda a cadeia produtiva. Do ponto de vista das empresas, será determinante a Governança para o sucesso no próximo ciclo, incluindo “compliance” como forma de administração de riscos, sendo que os bancos serão agentes transformadores na organização das companhias. Já do ponto de vista do setor, há necessidade de aprimoramento da legislação que envolve incorporação imobiliária, uma modelagem da relação dos incorporadores e imobiliárias, além da readequação do modelo de financiamento de empresas e clientes.

 

O papel dos fundos de investimento no mercado imobiliário atual

De um modo geral todos os palestrantes apontaram que, entre suas estratégias de investimentos, estão o conhecimento profundo do mercado e sua dinâmica, reputação, histórico e “expertise” daquele que será o chamado ‘sócio’, além de liquidez dos negócios. Foram apresentadas, neste sentido, várias modalidades de investimentos e em uma significativa diversificação de segmentos do mercado imobiliário, como em segmentos pouco penetrados (self-storage, galpões refrigerados, projetos BTS), em aquisições oportunas e de ativos (edifícios comerciais, galpões, residenciais), oportunidades em distress (shoppings, estoque residencial), além de ativos de alta qualidade e com cap rates atraentes.

Foram também pontos comuns sobre a avaliação realizada para os investimentos: localização estratégica, diversificação de segmentos, diversificação em diferentes estágios de desenvolvimento do empreendimento, alavancagem, análise mercado, produto, viabilidade financeira, mitigação dos riscos (gerenciamento de obra, acordos societários, controles financeiros, etc.) e Governança.

 

Boas práticas de gestão no setor da construção

A BSP, gestora do maior portfólio de ativos imobiliários do país, com mais e 1,3 milhões de m² de ABL divididos em mais de 900 imóveis em território nacional, apresentou suas estratégias de investimentos: criar um portfólio que gere receita de acordo o IGP-M e aumentar a fatia de imóveis alugados por terceiros, diversificando as agências, o que acredita pode gerar inúmeras oportunidades no mercado imobiliário.

Sobre Governança corporativa e Compliance pós-Lava Jato e os principais desafios da construção civil, a Deloitte chamou a atenção para a atual legislação que aborda a Lei Anticorrupção (que pode levar a perdas financeiras para empresas de construção civil, impactando na continuidade dos seus negócios), a Portaria CGU (que leva a necessidade de criação de uma Cultura Ética nas organizações) e a Lei que dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública e da sociedade de economia mista, no âmbito da União, Estados, DF e Municípios (que traz maior fiscalização pelos órgãos públicos da conduta das organizações). A Deloittet também destacou que há uma percepção generalizada no setor de que a corrupção é mais um problema ligado ao setor público e à concorrência desleal nas obras públicas do que às atividades privadas. No entanto, vários problemas identificados no setor devem ser tratados com afinco pelas empresas da construção no mercado em geral e na condução de seus negócios, pois envolvem também questões éticas, como irresponsabilidade na entrega do produto, alto índice de acidentes, descumprimento da legislação trabalhista, atividades executadas com potencial dano ao meio ambiente, falta de cumprimento dos prazos de entrega das obras, impunidade furtos em obras, etc. Por isso, na pauta das empresas do setor deve estar a criação de um Comitê Executivo para tratar do Negócio como um todo, levando em conta a Governança Corporativa, Gestão de Riscos, Controles Internos, Compliance, Sustentabilidade, IT GRC e Auditoria Interna.

Já o Secretário de PPPs e Concessões da Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou todo o processo de formulação de políticas e diretrizes da Prefeitura no que se refere a Concessões e Parcerias Público Privadas, as várias modalidades que foram desenhadas nestas áreas, além da carteira de projetos que seriam efetivados em curto, médio e longo prazos, assim como o desenvolvimento de estudos de viabilidade financeira e operacional dos projetos associados a estas modalidades. Em 2016 atingiu-se R$ 10,1 bilhões em PPPs e R$ 6,2 bilhões em Concessões na cidade do Rio. Os pontos relevantes que envolveram esta remodelação foram, segundo o secretário, a criatividade na modelagem institucional e financeira e a forma inovadora que foi conduzida, sem aplicação de recursos do tesouro; a valorização do centro da cidade como local de moradia; o novo conceito de mobilidade urbana, com introdução de novos modais e prioridade ao pedestre; a valorização do patrimônio material histórico e cultural; a garantia da operação e efetivo poder de realização; a visão de futuro e oportunidades para a cidade continuar a se desenvolver.

 

Inovação em gestão empresarial e gestão de fornecedores

Seguindo o mote de que toda inovação precisa gerar resultados, atendendo às necessidades e expectativas do mercado, sendo sustentável e viável do ponto de vista econômico e de realização, oferecendo retorno financeiro às empresas, o último painel trouxe três casos práticos nesta área. A Gafisa demonstrou os passos que seguiu para inovar na gestão de fornecedores de materiais e logística, o que levou a mudanças significativas quanto à mecanização e evolução dos canteiros: mapeou inicialmente problemas e oportunidades, reviu o papel das áreas, do papel operacional ao parceiro estratégico, e, finamente, estabeleceu sinergia entre as áreas, definindo também suas responsabilidades. O foco principal desta gestão inovadora surgiu da necessidade de um engajamento da indústria da construção civil – empresas e fornecedores – para quebrar com os modelos atuais de abastecimento.

A Even apresentou o case GDFor, detalhando esta inovação em gestão de empreiteiros e pessoal de obra, utilizando ferramenta de TI. Com o objetivo inicial de garantir o controle e a gestão dos documentos dos colaboradores terceirizados das obras de forma mais eficiente, segura e totalmente automatizada, foi desenvolvida uma plataforma eletrônica, disponibilizada via web tanto para a construtora como fornecedores de serviços, que trabalham em conjunto e integrados para garantir que as exigências trabalhistas de documentação sejam cumpridas, os treinamentos de segurança sejam realizados e o controle da documentação dos trabalhadores seja efetuado de tal forma que o acesso do colaborador à obra seja, desta forma, liberado por meio de catraca eletrônica.

A Tecnisa apresentou seu programa de gestão da inovação, partindo do ponto de que é preciso melhorar, inovar e diferenciar para ganhar competitividade. São realizados encontros semanais com um time multidisciplinar, que tem como principais objetivos a disseminação da cultura de inovação, o equilíbrio do conhecimento e o apoio técnico ao desenvolvimento de projetos. É realizado também o Fast Dating, um processo de inovação onde qualquer empresa tem a oportunidade de mostrar suas ideias, produtos e serviços. O destaque do programa fica por conta da ára de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que visa aprimorar, desenvolver e avaliar de maneira sistêmica os produtos, técnicas e métodos construtivos, a fim de subsidiar técnica e economicamente escolhas da empresa, racionalizando de maneira contínua seus processos construtivos e de forma sustentável.

 

Na programação abaixo, você pode acessar as apresentações autorizadas para publicação pelos palestrantes.

 

 

 

 

PROGRAMAÇÃO 08/12

Clique nos nomes dos palestrantes para acessar os currículos

8h00 Credenciamento | Good Morning Coffee

8h30 Abertura

Roberto de Souza (Presidente do CTE)

 

Painel I – Perspectivas para o mercado imobiliário brasileiro

8h50 Perspectivas para o crédito imobiliário no Brasil

Teotônio Costa Rezende (Diretor Executivo de Habitação da Caixa)

9h20 Desafios e oportunidades para o mercado imobiliário de médio e alto padrão

Emílio Fugazza (Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eztec)

9h50 Desafios e oportunidades no mercado de habitação econômica e no programa MCMV

Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo (Diretor Vice-Presidente Executivo da Direcional)

10h20 Debates

10h50 Coffee Break

 

Painel II – O papel dos fundos de investimento no mercado imobiliário atual

11h10 Oportunidades para fundos de investimento de renda na área de Real Estate

Roberto Perroni (CEO da Brookfield)

11h40 Prioridades dos fundos de investimento no mercado de incorporação

Luiz Renato Paim Fernandes (CEO da BVEP - Banco Votorantim)

12h10 Mitigação de risco e criação de valor na atuação de fundos de investimento no mercado imobiliário brasileiro

Marcelo Jensen (Diretor de Real Estate do Pátria Investimentos)

12h40 Debates

13h00 Business Lunch

 

Painel III – Boas práticas de gestão no setor da construção

14h00 Governança e Compliance no setor da construção pós Lava Jato

Ronaldo Fragoso (Sócio-Diretor da Deloitte)

14h30 Perspectivas, desafios e cases práticos de implantação de PPPs e Concessões

Jorge Luiz de Souza Arraes (Secretário de PPPs e Concessões da Prefeitura do Rio de Janeiro)

15h00 Gestão de ativos imobiliários – case BSP

Helcio Asche (Superintendente de Engenharia da BSP)

15h30 Debates

16h00 Coffee Break

 

Painel IV – Inovação em gestão empresarial e gestão de fornecedores

16h20 Inovação em gestão de fornecedores de materiais e logística visando redução de custos e aumento da produtividade – case Gafisa

Guilherme Sartori (Diretor de Operações da Gafisa)

16h50 Inovação em gestão de empreiteiros e pessoal de obra, utilizando ferramenta de TI – case GEDFOR

Marcelo Lenttini de Morais (Diretor Técnico de Operações da Even)

17h20 Programa de gestão da inovação para aumento da competitividade de empresa incorporadora e construtora - case Tecnisa

Fabio Villas Boas (Diretor de Construção da Tecnisa)

17h40 Debates

18h00 Encerramento

 

A emissão de gases de efeito estufa (GEE) deste evento foi calculada pelo CTE e foram plantadas pela empresa Curupira 74 árvores para neutralizar os efeitos das emissões de CO2.

Total de emissões do evento (kgCO2e) = 12.909,26

Capacidade média de retenção de CO2 por árvore durante 20 anos = 175,14

Número de árvores plantadas para neutralização de GEE deste evento = 74

 

Próximos eventos:
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