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Inovação 14 de Novembro de 2018

Smart buildings e as novas tecnologias

Automação para melhor gestão de recursos, redução de custos e maior qualidade de vida

 

O conceito de smart building ou edifício inteligente, surgido nos Estados Unidos, na década de 80, a partir da automação da iluminação atrelada a segurança, vem se desenvolvendo desde então com a integração dos sistemas e o avanço das tecnologias. Seu objetivo é garantir a melhor gestão dos recursos, como água e energia, a redução dos custos com operação e manutenção dos edifícios, e a qualidade de vida dos ocupantes dessas construções. 

Na opinião do diretor técnico da construtora Tarjab, Sérgio Domingues, no Brasil e nos outros países, os smart buildings ainda não têm tido todo o seu potencial aproveitado. Isso se deve ao fato de a construção civil ter produtos com ciclo produtivo longo, causando demora na inserção das tecnologias nos projetos. “Mas já se vê tendências interessantes no mercado, como dispositivos e equipamentos que se conectam uns aos outros e a internet, e facilitam a vida dos usuários, trazendo informações e ligando diversos serviços e comodidades às pessoas”, ressalta.

Neste sentido, a Tarjab já começou a estudar formas de aumentar a conectividade nos seus projetos e providenciar a infraestrutura necessária para seu funcionamento. “Estamos trabalhando com nossos fornecedores de elevadores e equipamentos prediais (bombas, portões, interfones) para buscarmos incorporar mais essa conectividade nos equipamentos e permitir maior facilidade de acesso a informação e a operação aos usuários ou, neste caso, aos gestores prediais das edificações”, explica.

 

“Já se vê tendências interessantes no mercado, como dispositivos e equipamentos que se conectam uns aos outros e a internet, e facilitam a vida dos usuários, trazendo informações e ligando diversos serviços e comodidades às pessoas.”

Sérgio Domingues, diretor técnico da Tarjab
 

Na visão do diretor, esse é só o começo, ainda há bastante trabalho pela frente. “Estamos vivendo uma evolução constante das tecnologias: os carros, celulares, televisores, máquinas de lavar e etc. já vêm conectados à rede, com um monitoramento remoto”.  Segundo ele, esse monitoramento mantêm os softwares dos aparelhos sempre atualizados, mas também permite identificar antecipadamente e até prevenir problemas que venham a afetar o funcionamento dos equipamentos. “Entendemos que isso vai permitir evoluir principalmente a operação e a manutenção dos sistemas da edificação”, diz.

Na opinião do diretor técnico da BKO Incorporadora, Fábio Luís Garbossa Francisco, o edifício inteligente tem evoluído no Brasil junto com a inserção das tecnologias da revolução 4.0 no mercado. A BKO já começou a migrar para esse conceito nos novos projetos, com o uso de Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), no termo em inglês, e sistemas integrados, aliado a projetistas que atuam nesta linha. Além do IoT, também tem buscado utilizar equipamentos com inteligência artificial e sistemas construtivos mais modernos e monitoráveis.

 

“É um caminho sem volta, e teremos cada vez mais aderência das empresas do mercado, principalmente quando entenderem os benefícios e a contrapartida que terão no controle, economia de consumo e vida útil de uma edificação.”

Fábio Luís Garbossa Francisco, diretor técnico da BKO Incorporadora
 

 

De acordo com ele, apesar dos benefícios, a adoção do conceito no País, ainda enfrenta resistência e depende de mudanças no mercado da construção. “Os desafios passam pelos investimentos, e principalmente pela quebra de paradigma e mudança de cultura do setor”, diz. 

Além disso, acrescenta que as oportunidades estão onde há ‘dores’ e imperfeições a serem corrigidas, praticamente em todas as áreas da construção. “Vejo que é um caminho sem volta, e teremos cada vez mais aderência das empresas do mercado, principalmente quando entenderem os benefícios e a contrapartida que terão no controle, economia de consumo e vida útil de uma edificação”, alega.

Case thyssenKrupp

O smart building – que envolve a tecnologia incorporada aos empreendimentos – tem despertado o interesse tanto da cadeia produtiva da construção como da sociedade como um todo, governos e empresas de tecnologia.

A thyssenkrupp é uma das empresas que direciona os seus investimentos neste sentido. A empresa lançou recentemente no Brasil o MAX, uma solução de manutenção preditiva para elevadores baseada em soluções de IoT e IA da plataforma de nuvem Microsoft Azure. Espera-se conectar 28 mil elevadores no País com essa tecnologia. O objetivo é melhorar a mobilidade urbana e a vida de mais de um bilhão de pessoas que utilizam elevadores todos os dias nas grandes cidades.

Em entrevista para o EnRedes, Paulo Manfroi, vice-presidente de serviços da thyssenkrupp Elevadores Brasil e América Latina, comentou sobre a nova tecnologia e o impacto em toda a cadeia de elevadores e para o consumidor final.

 

 
EnRedes – O que motivou a thyssenkrupp a investir em uma tecnologia focada em IoT e IA?

Paulo Manfroi: em primeiro lugar, para melhorarmos a prestação de serviços na nossa área. Neste sentido, a tecnologia é fundamental para evoluirmos de uma manutenção preventiva para uma manutenção preditiva. A parceria com a Microsoft utiliza soluções de IoT e machine learning/IA na plataforma de nuvem Azure, e também o HoloLens, dispositivo de realidade mista da Microsoft. Ou seja, estamos preparados para ir muito além do monitoramento remoto dos dados dos elevadores. O machine learning permite que um algoritmo de IA exclusivo saiba por que uma falha ocorreu no passado e qual foi a causa. A partir dessa análise, podemos estabelecer probabilidades e melhorar o produto, evitando novos problemas no futuro.

EnRedes – Como essa tecnologia influencia a cadeia de elevadores? 

Paulo Manfroi: o MAX atua em duas frentes. Primeiro, permite aos técnicos de manutenção atuar antes que os elevadores apresentem falhas e, consequentemente, melhora a sua produtividade e diminuiu o tempo de execução do serviço. Em segundo lugar, aumenta a confiabilidade junto ao cliente, ampliando a disponibilidade e a segurança do elevador e, consequentemente, a eficiência do serviço, que ficou mais rápida e eficaz.  Isso pode ser sentido desde o início do processo, pois o cliente não vai precisar abrir um chamado por causa de uma falha no elevador. Tudo ficou mais simples e fácil. Para os técnicos, os recursos são ampliados, combinando soluções de IoT e o HoloLens, dispositivo de realidade mista da Microsoft. Ele oferece um novo olhar aos profissionais de campo que podem otimizar o modo como se preparam e executam a manutenção.  É possível, por exemplo, visualizar imagens em 3D das peças para facilitar a visualização e identificação do problema e consultar, por meio de uma chamada de vídeo por Skype, um engenheiro da empresa que remotamente poderá auxiliá-lo de qualquer outro lugar, com acesso às mesmas imagens que o técnico tem do local onde está executando a manutenção. O resultado é uma economia significativa de tempo e melhor atendimento ao cliente.

EnRedes – Como o usuário final poderá ser beneficiado com o MAX? Haverá melhora do uso dos elevadores?

Paulo Manfroi: com base no potencial da Internet das Coisas, conectando elevadores à nuvem, reunindo dados de sensores e sistemas e transformando esses dados em informações valiosas de negócios, o MAX melhora substancialmente as operações de manutenção preditiva e pode reduzir pela metade o tempo atual que os elevadores ficam fora de operação, aumentando significativamente a disponibilidade dos equipamentos e a eficiência de transporte nas grandes cidades. Por sua vez, isso permite que a thyssenkrupp garanta uma maior porcentagem de tempo de atividade em seus elevadores conectados ao MAX e melhore a experiência do cliente. Ou seja, o administrador de condomínio ou síndico recebe dados claros sobre as operações e desempenho dos elevadores e pode planejar melhor as intervenções de serviço.

EnRedes – Há planos para novos investimentos em tecnologias inovadoras? Quais?

Paulo Manfroi: acabamos de lançar o AGILE, sistema que reúne soluções inteligentes para melhorar o controle de tráfego e a gestão dos elevadores de um edifício. Na prática, conseguimos agrupar as pessoas que vão para o mesmo andar ou próximos no mesmo elevador, antecipando o destino de cada passageiro antes de entrar no elevador. Desta forma, diminuímos o congestionamento no hall de entrada do edifício, o tempo de viagem, o número de paradas, além de reduzir o consumo de energia com os elevadores. Também torna os edifícios mais eficientes, a partir de um software que pode programar o uso dos elevadores, de acordo com a demanda. O software pode ser instalado em diversas plataformas e pontos do edifício como computadores, portaria ou sala de controle, e até mesmo em smartphones.

Rede Construção Digital

O caminho rumo a transformação digital do setor da construção vai possibilitar e exigir que as empresas criem, cada vez mais, soluções elaboradas e complexas para os diferentes desafios atuais, e o smart building se insere neste contexto.

Pensando nisso, a Rede Construção Digital (RCD) já iniciou o debate sobre como o setor poderá se beneficiar com as novas tecnologias, tais como a IoT e IA, desde a incorporação e projeto até o desenvolvimento de materiais, construção, comercialização e ocupação. Foram criados dois grupos de trabalho específicos sobre os temas. Saiba mais nos posts relacionados (mais abaixo).

 

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