• (11) 2149-0300
Inovação 23 de Agosto de 2018

Parceria com startups requer cuidados

Rede Construção Digital busca mapeamento efetivo de empresas

 

A transformação digital do setor da construção será inevitável. Seguindo uma tendência mundial, as empresas começam a digitalizar processos, incorporar tecnologias em seus produtos e a acompanhar as tendências em edifícios inteligentes e smart cities. Neste contexto, as startups se destacam pela habilidade de identificar essas necessidades e criar soluções com tecnologias inovadoras e digitais aos modelos tradicionais.

“As grandes empresas são lentas, têm muita rotina e operações em andamento. Isso às vezes cria uma dificuldade de inovação interna. As startups podem estar dentro do conceito de open inovation, com espaço para que atendam as ‘dores’ e problemas do setor”, avalia o presidente do CTE – Centro de Tecnologia de Edificações e idealizador da Rede Construção Digital, Roberto de Souza.

 

“É necessário fazer uma avaliação criteriosa e comparativa também entre o benefício de a empresa desenvolver internamente uma solução para sua ‘dor’, e o benefício de absorver os serviços de uma startup.”

Roberto de Souza, Presidente do CTE

 

Segundo ele, a Rede Construção Digital, que reúne 32 empresas de vários elos da cadeia produtiva da construção, consegue identificar as 'dores’ e necessidades de incorporadoras, construtoras, projetistas e fabricantes de materiais. “Dessa forma, consegue explicitar para as startups que problemas são esses. Além disso, avaliar se as startups têm perfil, estrutura e inteligência para atendê-los, permitindo assim uma seleção mais efetiva, atalhando alguns caminhos que as empresas, isoladamente, iriam percorrer, e que demandaria mais tempo e esforço”, diz.

Neste contexto, alerta que antes de incorporar, investir ou contratar startups, a empresa deve ter o cuidado de avaliar qual é o propósito de cada startup e qual é a capacidade efetiva de ela resolver – a um custo menor, com maior agilidade, com qualidade e desempenho satisfatórios – essas necessidades que a empresa contratante está identificando. “É necessário fazer uma avaliação criteriosa e comparativa também entre o benefício de a empresa desenvolver internamente uma solução para esta ‘dor’, e o benefício de absorver os serviços de uma startup”, acrescenta.

Modelos de negócio

Há vários modelos práticos que atendem as parcerias entre as empresas de construção e as startups. “A grande empresa pode trazer a startup para dentro da organização, incubá-la e acelerá-la. E ela passa a ser uma prestadora de serviços para a empresa em si, e pode até gerar uma solução para o mercado também”, explica.

Um segundo modelo envolve a contratação dos serviços das startups. “Pode ser para prestação de serviços específicos que resolvam um determinado problema que a construtora tenha, como por exemplo, um serviço de vôo de drones para identificar patologias em edifícios prontos ou o andamento físico de obras”, diz.

Outro modelo, que é do Corporate Capital Ventures, é quando a grande empresa abre uma linha de investimento em startups, visando ampliar o seu portfólio de negócios, de produtos e prestação de serviços. “Ela entra como sócia da startup, não precisa trazer para dentro da empresa, e vai fazendo o mentoring do desenvolvimento desse negócio”, conta.

Ações em andamento

Dentro da Rede Construção Digital já existem ações em andamento relacionadas ao tema. Entre elas, está o mapeamento de startups brasileiras e do Vale do Silício que atuam no setor de construção, desde a área de negócios – real state, incorporação, concepção de produto, identificação de terreno, pesquisa de mercado, vendas, locação, marketing, relacionamento com o cliente – até o projeto, planejamento e execução de obras e o pós-ocupação – gestão do uso e operação.

Além disso, integrantes da Rede visitaram algumas startups in loco, em Missão ao Vale do Silício no mês de agosto, onde já foram identificadas preliminarmente 243 startups envolvidas no setor, para verificar a disponibilidade e as possibilidades que existem de parcerias e modelos de negócios.

Case

A InterCement, que atua no mercado de cimento no Brasil e em vários outros países, é uma das empresas que têm buscado promover parcerias com startups como uma forma de praticar a inovação sem ter que desenvolver internamente. “É uma maneira interessante de trazer inovação para dentro de casa, principalmente quando são tecnologias digitais. A indústria da construção, de uma maneira geral, é muito pouco digitalizada”, opina o gerente da área de inovação, Vinícius Scaramel.

 

“Se você não comete erros, provavelmente não está fazendo nada novo. O mais importante é ter este mindset de tolerância ao erro e ser flexível para poder se adaptar rapidamente às mudanças necessárias."

Vinícius Scaramel, Gerente da Área de Inovação da InterCement

 

Em 2014, criou a Neogera, empresa focada em investimento em startups. “Nós fizemos três programas de aceleração para encontrar startups da construção, tivemos oito aceleradas e investimos em cinco. Hoje, três continuam no nosso portfólio”.

Internamente, a InterCement tem buscado startups para logística, suprimentos, segurança do trabalho e para a área industrial, com foco em inteligência artificial. Para fora da empresa, procura startups relacionadas a revendas de materiais de construção, distribuidores, concreteiras, indústrias e construtoras. “Estamos olhando com bastante atenção o potencial da impressão 3D para o setor”, ressalta.

Na avaliação do gerente, sempre há riscos, e erros vão acontecer, sendo inerente ao processo de inovação. “Se você não comete erros, provavelmente não está fazendo nada novo. O mais importante é ter este mindset de tolerância ao erro e ser flexível para poder se adaptar rapidamente às mudanças necessárias”.

A principal lição aprendida até o momento com as parcerias, de acordo com ele, é a de ter um bom alinhamento interno com as áreas que vão adotar a tecnologia ou serão parceiras no projeto, para que tenham clareza dos objetivos e expectativas de ambos os lados. Para o futuro, disse que estão passando por um processo de revisão estratégica e mapeando tecnologias disruptivas para o setor.

Neste trabalho, a Rede Construção Digital tem um objetivo fundamental, como explica o gerente. “Com certeza vai nos ajudar a debater o assunto com os entes da cadeia e a conseguirmos entender nossos pontos fracos e como podemos adotar as novas tecnologias para sairmos da improdutividade. Este é um movimento que deve ser setorial para ganhar relevância. Temos que abrir a cabeça e mudar o nosso mindset, nos permitir questionar o paradigma atual e principalmente agir para a mudança”.

 

#movimentonosetordaconstrução #redeconstruçãodigital #enredes

 

    Quem somos

 

Apoio